segunda-feira, 20 de junho de 2011

GT03 - História, quadrinhos e cultura pop: representações do passado, imaginário e ensino

GT03 - HISTÓRIA, QUADRINHOS E CULTURA POP: REPRESENTAÇÕES DO PASSADO, IMAGINÁRIO E ENSINO
Coordenação:  Prof. Msc.Ivan Lima Gomes (UEG/UFF)

SESSÃO 1 |  30\07  | Sala 1 | 14h00 – 15h00

A INDÚSTRIA É MASSA: Os Quadrinhos são massa
 Paulo Fernando Dias Diniz
Licenciado em História (UNICAP);Bacharel em Design (UFPE);Mestre em Comunicação (UFPE); professor do curso de Arquitetura da Faculdade Damas e Faculdade do Vale do Ipojuca.

Qualquer objeto produzido traz em si as marcas de seu autor e de seu tempo; independente da posição que o artista toma em sua exteriorização, ela traz em si a pressão social representada metonimicamente pela pressão do lápis sobre o papel. Mas, mesmo nesta representação as relações sociais demarcam os limites do pensamento do produtor do objeto. Este artigo analisa a produção quadrinística brasileira e mundial. O artigo parte da premissa que a cultura de massa mediatiza os conceitos de cultura erudita e popular, não havendo mais a clássica distinção entre cultura letrada e iletrada. A cultura pop, mediatizada nos mass media pode ser exemplificada com a produção quadrinística na qual personagem tipificados de uma cultura urbana e classe média representam uma cultura que se faz e se apresenta já como produto industrial e comercial.

O HUMOR GRÁFICO E OS QUADRINHOS BRASILEIROS: UM BREVE HISTÓRICO DA RELAÇÃO DO HUMOR GRÁFICO E OS QUADRINHOS BRASILEIROS
 Paulo Fernando Dias Diniz
Licenciado em História (UNICAP);Bacharel em Design (UFPE);Mestre em Comunicação (UFPE); professor do curso de Arquitetura da Faculdade Damas e Faculdade do Vale do Ipojuca.

Este artigo se propõe analisar a relação entre quadrinhos e humor gráfico como vertente principal da produção quadrinística do Brasil. A postulação dessa vertente foi feita por Moacy Cirne no seu livro História das Histórias em quadrinhos brasileiras. Além de um breve histórico dos quadrinhos brasileiros o artigo se concentra na conceituação dos vários tipos de humor gráfico (da caricatura à charge) até analisar a relação direta deste com a produção quadrinística brasileira.

UMA VIDA PARA OS QUADRINHOS: MOACY CIRNE E OS ESTUDOS SOBRE OS QUADRINHOS NO BRASIL
Ivan Lima Gomes
Mestre em História Social (UFRJ) e Doutorando em História Social.
Professor da UEG e do Colégio Universitário Geraldo Reis - UFF.

Esta proposta de comunicação estabelece a relevância das reflexões de Moacy Cirne como estudioso pioneiro das histórias em quadrinhos no Brasil. Partimos da premissa de que as reflexões em torno desta mídia apresentam uma trajetória peculiar no país e que estas, por sua vez, não devem ser ignoradas por aqueles que pretendem se aventurar nos estudos sobre quadrinhos. Neste sentido, objetivamos analisar as linhas gerais do pensamento de Cirne relacionadas a este tema produzidas entre os anos 1970 e 1990, bem como relacioná-las aos debates gerais presentes na sociedade brasileira em cada contexto específico.


ESTRATÉGIAS DISCURSIVAS NA NARRATIVA DA HQ CHIBATA!
André Pereira de Carvalho
Graduado em Ciências Sociais (UFAL) e Mestre em sociologia (UFPE)

Este trabalho tem por interesse analisar as estratégias discursivas das histórias em quadrinhos ao narrar um fato real. Havendo recentemente uma maior produção de quadrinhos sobre acontecimentos reais, sejam pessoais ou históricos, é possível serem observados elementos na construção do discurso que levem o leitor a não apenas entender a história, mas a tomar uma posição dentro dela. Diferente das HQs fictícias, estas narram um evento que aconteceu, o que prende, de certa maneira, a liberdade do artista de proceder de qualquer maneira ao contar a história. Porém, considerando que a história e o discurso não são elementos fixos, irrefutáveis, mas sim contextuais, pois dependem de quem conta e como conta, analisamos uma HQ que aborda um evento real da história brasileira, a fim de analisar suas estratégias discursivas. Compreenderemos, através da semiótica greimasiana, como elementos do discurso se unem entre si para formar um sentido coerente, e apontar a posição que o artista imprimiu na estória, o caráter ideológico subjacente nas entrelinhas. A HQ analisada é Chibata! João Cândido e a revolta que abalou o Brasil, de Olinto Gadelha e Hemeterio, que narra a revolta da chibata de 1910.


SESSÃO 2 |  30\07  | Sala 1 | 15h00 – 16h00


A INOSCENTE IRONIA: BILL WATTERSON E A CRITICA CONTRA GUERRA FRIA NAS TIRINHAS DE CALVIN E HAROLDO

Agostinho Rodrigues Torres
Thyego Douglas Araújo dos Santos
Graduandos em Historia (UFPI)
O que propomos neste artigo é uma reflexão sobre a própria indústria cultural e o uso das tirinhas como subversão cotidiana. O quadrinista não é simplesmente um informador neutro típico dos jornais (jornalista), ele é também artista, por isso detentor de uma sensibilidade aguçada, mesmo que num espaço físico de atuação extremamente limitado como o pedaço de uma pagina exprimido entre notícias de corrupção e assassinatos. Seu objetivo principal no caso das tirinhas é causar gargalhadas com questões diretamente ligadas ao cotidiano das pessoas, seja focalizando suas ironias em políticos, celebridades ou situações constrangedoras. Desta maneira, as tirinhas diárias dos jornais são capazes de tornar mostráveis, sob certas condições sociais, determinadas ações de modo que todos possam controlá-las e compreendê-las de forma integral. No caso deste artigo analisaremos aspectos da Guerra Fria presentes na famosa tirinha Calvin e Haroldo. Na década de 80 a Guerra Fria era um assunto inquestionavelmente comum no dia-a-dia e afetou consideravelmente todo o ambiente cultural da época. A indústria cultural de massa não ficou de fora e foi atravessada por anseios de todos os gêneros nessa época. Jornais, filmes, pinturas, posturas políticas e até a família, são exemplos de questões influenciadas pela eminente catástrofe nuclear. Nas palavras de Carlos André Krakhecke a paranóia da guerra nuclear cria uma sensação de insegurança para a maioria das pessoas. Levando em conta os estudos da escola de Frankfurt sobre o desenvolvimento e propagação das idéias na indústria de massa e a ampliação da abrangência do termo fonte histórica pela historiografia contemporânea, as tirinhas que eram publicadas diariamente em diversos jornais do mundo se tornam fontes históricas relevantes de sua sociedade.

WILL EISNER (UM CONTRATO COM DEUS E OUTRAS HISTÓRIAS DE CORTIÇO) E ALUÍSIO AZEVEDO (O CORTIÇO): UMA COMPARAÇÃO ENTRE A SOCIEDADE SUBURBANA DO BRONX E BOTAFOGO
Hosana Araújo Bezerra
Graduanda em Letras (UFPE)
Viviane Flávia da Silva
Graduanda em Letras (UFPE)

Considerado um dos grandes artistas de histórias em quadrinhos de todos os tempos, Will Eisner (1917-2005) com o revolucionário estilo da graphic novel inaugurado nesta obra, explora com uma visão realista e humanizada as situações vivenciadas pelos moradores de um decadente cortiço na América dos anos 30, destacando os indivíduos comuns e marginalizados, longe do heroísmo maniqueísta tão utilizado nesta indústria. De modo semelhante, na consagrada obra naturalista de Aluísio Azevedo (1857-1913), na qual os tipos humanos patológicos são caracterizados como um modelo da sociedade carioca do final do século XIX, as narrativas se cruzam por meio de seus personagens principais: um prédio arruinado que abriga os conflitos da classe suburbana, onde todos participam da vida de todos.


5 MINUTOS PARA O FIM DO MUNDO; WATCHMEN ATRAVÉS DO OLHAR DA HISTÓRIA.
Fabrina Michely Franklin de Almeida
Graduanda em História (UFCG)

Durante muito tempo a nona arte foi relegada a um plano secundário na pesquisa e ensino de História, mesmo após a diversificação de temas e fontes presente na escola dos Annales, encontramos mais recentemente uma mudança neste quadro inserindo as histórias em quadrinhos no campo do saber/fazer histórico, o que possibilita tecer o transcorrido por novos prismas. A partir de olhares diferenciados propomos analisar as (re) construções do período descrito como Guerra Fria, observando as marcas desta época, tendo como norte a literatura fantástica de Alan Moore em Watchmen. Para tanto iremos nos apropriar das leituras de Chartier na medida em que a literatura torna-se uma representação do passado e não um espelho fidedigno, além da necessidade de compreensão da leitura como um caminhar em um terreno alheio cheio de símbolos e linguagens próprias, as quais, embora não se possa entender em sua totalidade, ainda constroem-se como patamar na busca pelo verossímil.

QUEM TEM MEDO DOS RATOS MAUS?
Tásso Araújo de Brito
Graduando em História – UFPE

Em 1986, Art Spiegelman publica Maus: A História de um Sobrevivente, baseado nas memórias de seu pai que sobrevivera à ocupação alemã na Polônia durante a II Grande Guerra. Este trabalho é resultado da disciplina Autobiografias em Quadrinhos cursada no período 2010.2 e a proposta deste trabalho é analisar Maus a partir dos apontamentos sobre narrativa e experiência feita pelo filosofo alemão Walter Benjamin. Além de pensar as possibilidades de Maus quanto documento passível de interpretação histórica. E por fim vendo como esta obra está na contramão do discurso sionista.



SESSÃO 3 |  31\07  | Sala 1 | 14h00 – 15h00


MANGÁ SHAKESPEARE: TRADIÇÃO E ATUALIDADE
Anuska Karla Vaz da Silva
Mestranda em Teoria da Literatura – UFPE

William Shakespeare é considerado um dos maiores ícones da literatura mundial e suas obras vêm recebendo ao longo dos séculos os mais diversos tratamentos artísticos. Pensando esses tratamentos pelo viés da reescritura, isto é, de um novo foco ou linguagem atribuído ao texto original conceito formulado por teóricos como Roland Barthes, Harold Bloom e Linda Hutcheon, deparamo-nos com a coleção Mangá Shakespeare, que propõe revisitar o escritor inglês através de imagens, especificamente os traços orientais. Contudo, não se trata somente de uma tradução intersemiótica, saindo da Literatura para as Histórias em Quadrinhos: os enredos recebem novos elementos pertencentes a nossa contemporaneidade, como no caso da adaptação de Romeu e Julieta, que tem suas famílias separadas por brigas da facção criminosa Yakuza; ou como na adaptação de Hamlet, que se passa num futuro não muito distante (2017) e coloca em pauta questões ambientais em contraponto a uma nova realidade cibernética. Assim, o objetivo desta comunicação é analisar nas obras supracitadas a maneira como ocorre a transposição de linguagem escrita para a imagética e no que consiste e contribui a inserção de elementos pertencentes ao contexto histórico atual.

A INFLUÊNCIA DO ESTILO MANGÁ NOS QUADRINHOS OCIDENTAIS: ESTUDO DE CASO TURMA DA MÔNICA JOVEM E SCOTT PILGRIM
Fernanda Chagas Sobreira
Graduanda em Publicidade e Propaganda – UFC

A cultura pop japonesa cresce cada vez mais, em número de fãs e admiradores. São quadrinhos, desenhos animados, filmes, músicas, roupas, jogos e muitos outros produtos desta cultura presentes no mundo ocidental. Consequentemente, os trabalhos realizados com influência no estilo de quadrinhos oriental, conhecido como mangá, também aumentaram em diversas áreas. O artigo vem com o objetivo de apresentar estas influências na área dos quadrinhos. Iniciaremos com um histórico do mangá moderno, seguido das principais características deste estilo: olhos grandes, narrativa cinematográfica, entre outras. Esta introdução ao mundo do mangá irá preparar o leitor para os estudos de caso. Nesta etapa, serão analisadas duas obras: Turma da Mônica Jovem, de Mauricio de Souza, e Scott Pilgrim, do canadense Brian Lee O’Malley. A primeira produção retrata a história da turma adolescente, enfrentando vários conflitos típicos da juventude, contando com diversas edições temáticas inseridas no contexto atual, tendo influências de jogos, obras de literatura e até mesmo do próprio mangá. Já em Scott Pilgrim, conhecemos Scott, um jovem que se apaixona por uma garota e, a fim de namorá-la, precisa lutar e derrotar os sete ex-namorados malvados dela. Veremos como o estilo característico do mangá influenciou cada um destes trabalhos, tanto na área da ilustração, narrativa e desenvolvimento das histórias. O estudo se dará com base em diversos autores estudiosos do tema mangá e cultura japonesa em geral, entre eles Paul Gravett, Sonia Luyten, Cristiane Sato, Alexandre Nagado, entre outros.

A INFLUENCIA DA MODA NO VISUAL DOS SUPER-HEROIS
Noaldo Vidal Eufrausino
Graduando em Design (UFPE)

Falar um pouco a respeito da influencia que a moda exerce sobre o modo de vestir e a atitude dos herois das revistas em quadrinhos e como isso reflete no publico consumidor de HQs.

EXPLOSÃO NIPÔNICA: OTAKUS PERNAMBUCANOS NUM ESTUDO HISTÓRICO-CULTURAL
Fred Rego Barros Pedrosa – Graduando em História (UFRPE)
Ana Camyla Medeiros Alves– Graduando em História (UFRPE)

A propagação de culturas jovens estrangeiras trazidas para Pernambuco no começo do segundo milênio modificou o contexto histórico-cultural de muitos jovens pernambucanos, pois eles incorporam novos aspectos culturais no seu cotidiano. Em virtude deste difusionismo cultural surgem as tribos urbanas, indivíduos que apresentam uma conformidade de pensamento, hábitos e maneiras de se vestir como meio de diferenciar dos demais jovens e assim criarem uma identidade. Este trabalho busca analisar a trajetória histórica da cultura pop japonesa difundida entre os jovens pernambucanos, sendo assimilada e ressignificada, assim como compreender a relação destes jovens com a sociedade e a formação de uma identidade cultural a partir de uma pesquisa feita em dois locais de grande presença desta tribo urbana: a loja Magic Center e a XIV Feira Japonesa do Recife 2010.


SESSÃO 4 |  31\07  | Sala 1 | 15h00 – 16h00

TIRINHAS 2.0: NOVAS POSSIBILIDADES DE CRIAÇÃO DE TIRINHAS NAS MÍDIAS DIGITAIS
Vítor Feitosa Nicolau
Mestrando em Comunicação (UFPB) e Professor Substituto do curso de Design Gráfico do IFPB

Com a convergência midiática, as tirinhas estão ganhando cada vez mais espaço dentro da web. Novas possibilidades de criação e veiculação deste gênero, consolidado dentro do jornal e da revista, têm surgido, principalmente através de sites que disponibilizam ferramentas para que usuários leigos nos programas de edição de imagem possam produzir suas tirinhas a partir de boas ideias e um pouco de criatividade. O objetivo deste artigo é demonstrar como o modelo de produção dentro das novas mídias está sendo modificado, sob a ótica dos sites que possibilitam a qualquer um criar suas tirinhas. A convergência faz surgir uma nova dinâmica em que os usuários estão exigindo cada vez mais sua participação no processo de produção, procurando interagir de maneira cada vez mais complexa com o conteúdo disponível nas mídias digitais.

CONCEITO DE FOTOTIRINHA: UMA ANÁLISE DA ADAPTAÇÃO DO GÊNERO FOTONOVELA PARA O MEIO DIGITAL
Vítor Feitosa Nicolau
Mestrando em Comunicação (UFPB) e Professor Substituto do curso de Design Gráfico do IFPB

A tirinha tem conquistado gradativamente espaço dentro das novas mídias digitais, incorporando elementos como som, animação e, principalmente, imagens retiradas da própria internet, aproximando-se bastante das produções conhecidas como fotonovelas, narrativas seqüenciadas semelhantes aos quadrinhos que utilizam, em vez de desenhos, fotografias. Nas fotonovelas, cada quadrinho representa uma cena, com temáticas centradas em romance, drama e humor. De acordo com o que afirma Jenkins (2008), a convergência midiática permitiu que novos e antigos gêneros pudessem coexistir, adotando novos formatos e adaptando-se a era digital. Assim, a fotonovela pôde ressurgir em uma estrutura que se confunde e se agrupa com a definição de Tirinhas, ou tiras diárias, compreendida por Magalhães (2006) como uma história de arte seqüencial, de três ou quatro quadros, e geralmente de conteúdo satírico, irônico e opinativo. As imagens destas novas produções, conceituadas pelo autor como fototirinhas, geralmente são extraídas de programas de televisão, jornais ou fotografias publicadas na internet, com ausência do crédito à imagem, e utilizadas fora do contexto da narrativa da qual foram fotografadas ou filmadas. Estas imagens ganham assim um novo significado, graças à percepção e astúcia do criador da fototirinhas. O principal objetivo deste estudo está em demonstrar como antigos gêneros, a exemplo da fotonovela, estão ressurgindo de maneira adaptada na internet. O estudo também apresenta como os quadrinhos e as tirinhas estão conquistando cada vez mais espaço, principalmente dentro dos Blogs, e se readaptando e criando novos gêneros, como propõe McCloud (2006) com o conceito de Webcomics, e Franco (2004), com as HQtrônicas.


QUADRINHOS DE INTERNAUTA": A APROPRIAÇÃO DA LINGUAGEM DOS QUADRINHOS NA INTERNET
Acemir Sousa Mendes
Graduado em Computação (UFPI)
Ludmila Nascimento Monteiro
Graduada em Jornalismo (UFPI)
Estudantes do Curso Técnico de Artes Visuais do Instituto Federal do Piauí - IFPI

O presente trabalho visa investigar os novos usos da linguagem dos quadrinhos advindos com a ascensão das novas tecnologias estudando os casos de personagens transformados em imagens de domínio público através da internet que viraram protagonistas de diferentes histórias em quadrinhos de autorias anônimas na rede. Tal apropriação de uma imagem, geralmente um traço universalizado em forma “de palito” ou fotografias- frames de filmes clássicos, para contar uma anedota ou história se caracterizaria como história em quadrinho? Partimos do pressuposto de que a maior parte dessas criações via apropriação de imagem na rede se dão para fins humorísticos, caracterizando propriamente o gênero “tirinhas” dentro dos quadrinhos. Para fins metodológicos, utilizamos uma abordagem transdisciplinar, com olhares dos campos artísticos, das ciências da computação e da comunicação.



GT02 - Super-heróis em perspectivas interdisciplinares

GT02 - Super-heróis em perspectivas interdisciplinares
Coordenação: Prof. Dr. Nildo Viana (UFG) e Prof. Ms. Iuri Andréas Reblin (EST)


SESSÃO 1 |  30\07  | Sala 2 | 10h00 – 11h00

NO CAMINHO ERRANTE DA ESCURIDÃO: ANÁLISE DA HQ “THE PRO” COMO MODELO CONTRA-HEGEMÔNICO DE SUPER-HEROÍNAS
Luciana Zamprogne Chagas (UFES)
Bacharel e Mestranda em Ciências Sociais

Esse artigo se propõe a discutir a ideologia individualista - no sentido de Louis Dumont - da sociedade moderna e a possibilidade dos desvios e divergências que a dinâmica cultural da sociedade ocidental permite criar. A ideia defendida é que, pela plasticidade e dinamização da mudança nos discursos hegemônicos, os outsiders podem, sim, tornarem-se novos ícones ou, minimamente, fazer sucesso. A pesquisa centra-se em mulheres (des)enquadradas das HQs, na perspectiva de serem modelos contra-hegemônicos que corroboram dessa hipótese. A partir do universo fantástico dos super-heróis o recorte empírico se dará no quadrinho The Pro escrito por Garth Enis e originalmente publicado pela Image Comics, que conta a história de uma prostituta que, por acaso do destino, vira super-heroína. Além de ser uma paródia sobre os super-heróis mais famosos da DC Comics, chama a atenção pelo sucesso de vendas que obteve, pois, apesar de ter apenas 1 revistinha, foi reimpressa diversas vezes e ganhou até versão em capa dura.

ESTRATÉGIAS DE METAFICÇÃO EM NARRATIVAS DE SUPER-HERÓI
Cláudio Clécio Vidal Eufrausino (UFPE)
Jornalista, Mestre em Comunicação e Doutorando em Teoria Literária

O objetivo deste trabalho é discutir como elementos das narrativas de super-herói, como super-poderes, identidade secreta, paralelismos de tempo e espaço e crises de identidade, podem funcionar como estratégias da metaficção, entendida, com auxílio da teorização de Gustavo Bernardo, como o campo em que realidade e ficção dialogam sobre seus limites e possibilidades.

DEATH NOTE E O HERÓI AO CONTRÁRIO: UMA LEITURA SIMBÓLICA DISCURSIVA
Genis Frederico Schmaltz Neto (UFG)
Graduado em Letras e Mestrando em Letras e Linguística
Núcleo de Estudos em Linguagem e Imaginário (Nelim)

Valendo-se da semiótica praticada por A. Greimas, alicerçada à antropologia do Imaginário de G. Durand, toma-se como corpus o anime Death Note para se pensar como se configuram as paixões discursivas do personagem Yagami Raito e os símbolos enunciativos que enlaçam a noção de Justiça no decorrer da narrativa, seja guiado por seu companheiro shinigami Ryuk ou pelas relações interpessoais estabelecidas com os demais personagens, Desenvolvendo-se na contramão do arquétipo do Herói (aquele que é chamado e se sacrifica), Raito se estabelece como herói contemporâneo da pós-modernidade e propõe um novo olhar sobre os fenômenos sociais. Ademais, rompe com os paradigmas moralistas e oferece um novo mecanismo de catarse pertinente ao século XXI: lida com a morte e dela faz sua essência, torna-se vivo.

ELEMENTOS DA GUERRA FRIA NO UNIVERSO FICCIONAL DE FERDINANDO
Diego Marques Pereira dos Anjos (UFG)
Graduando em Ciências Sociais

As hq´s foram durante muito tempo certo tipo de produção cultural marginalizadas socialmente, tal marginalização se deve a inúmeros fatores: desprezo por formas criativas e fantásticas de expressão priorizando a racionalidade instrumental; pouco desenvolvimento do mercado consumidor; censura estatal e conflito de interesses; conservadorismo pedagógico, entre inúmeros outros motivos. Aos poucos esta situação vem se alterando e um dos principais reflexos é uma renovação crítica na análise sociológica da hq, de alguns de seus temas e personagens. Nesse sentido, pretendemos com essa comunicação realizar alguns apontamentos sobre a pesquisa que realizamos sobre o universo ficcional de Ferdinando, hq produzida nos EUA e divulgada em inúmeros países, na medida em que a análise sociológica de uma produção cultural nos permite descobrir não somente as determinações individuais da produção, mas principalmente a sociedade que possibilitou a emergência da história tal como ela se apresenta com os valores que reproduz.

SESSÃO 2  |  30\07  | Sala 2 | 11h00 – 12h00

MONAQUISMO, ASCETISMO E MISTICISMO – ELEMENTOS DA CULTURA RELIGIOSA NOS HERÓIS CONTEMPORÂNEOS
Valério Guilherme Schaper (EST)
Doutor em Teologia

A cultura religiosa cristã, ao longo de sua história, fomentou o desenvolvimento e o cultivo de determinadas práticas espirituais voltadas para a consecução de suas finalidades. A tradição cristã contribuiu para a criação de uma galeria de personagens (santos, monges, guerreiros, místicos, etc.). Esta cultura compôs o caldo cultural que forneceu muitos elementos do universo heróico dos quadrinhos contemporâneos.

INCONSCIENTE COLETIVO FEMININO E VALORES CONTRADITÓRIOS NA MULHER-MARAVILHA
Nildo Viana (UFG)
Graduado em Ciências Sociais; Especialista em Filosofia; Mestre em Filosofia; Mestre em Sociologia; Doutor em Sociologia.

A personagem Mulher-Maravilha expressa um conjunto de contradições e por isso revela valores opostos e ainda o inconsciente coletivo feminino. Desde sua criação, em 1942, a Mulher-Maravilha revelava um forte desejo de emancipação feminina, manifestando o inconsciente coletivo, o desejo da mulher de superar seu papel na divisão social do trabalho e ethos feminino marcado pela opressão. O que se vê, desde sua primeira história, é uma mulher forte e inteligente que possuía super-poderes, sendo manifestação ideal do desejo reprimido coletivo das mulheres. No entanto, ao mesmo tempo em que manifestava o inconsciente coletivo feminino, essa personagem aparecia como um misto de axiologia e axionomia, valores dominantes e valores autênticos, tal como no caso do seu uniforme e objetivo inicial, lutar pelos Estados Unidos na Segunda Guerra Mundial e recusar o dinheiro como valor fundamental, expressando os dois tipos de valores simultaneamente. Apesar dos valores contraditórios, há o predomínio da axiologia e por isso a axionomia é subordinada, juntamente com o inconsciente coletivo nas histórias da Mulher-Maravilha. A evolução da personagem promoveu alterações em vários sentidos, mas a manifestação do inconsciente coletivo feminino e predomínio da axiologia, permaneceu, sendo que o primeiro elemento sempre foi o atrativo do público feminino desta super-heróina.

TERRÍVEL SIMETRIA: VISÃO PSICANALÍTICA DA IDENTIDADE EM WATCHMEN
Cleriston de Oliveira Costa (UEPB)
Graduado em Comunicação Social e em Letras

O presente trabalho tem como objetivo estudar, de acordo com a perspectiva freudiana, as motivações inconscientes das personagens centrais de Watchmen (1986), de Alan Moore e Dave Gibbons. Recorremos então a uma pesquisa de cunho bibliográfico e qualitativo, na qual McCloud (2004) e Eisner (2010) nos permitem estudar as técnicas de narrativa próprias aos quadrinhos, enquanto Freud (1996) nos cede o embasamento necessário para analisar os traços psicanalíticos das personagens. Pretendemos expor os atributos inerentes à personalidade de cada uma delas, por meio da identificação dos agentes do aparelho psíquico id, ego e superego que atuam de maneira mais influente em seu modus operandi, bem como a busca pelas identidades por elas efetivamente desejadas.

OS SUPER-HERÓIS E O DESEJO DE LIBERDADE
Edmilson Marques (UFG)
Mestre e Doutorando em História

Os super-heróis se destacam como os personagens dos quadrinhos onde a questão da liberdade se afigura de forma mais clara. A liberdade, por sua vez, é um fenômeno amplamente discutido na sociedade moderna, ao mesmo tempo, uma pressuposição da necessidade humana de desfrutá-la na realidade. A superaventura expressa o desejo de liberdade nas ações e poderes dos super-heróis, contudo, esta questão se torna complexa, uma vez que a liberdade expressada nas histórias, não coloca em questão o que causa a não liberdade, o que se torna de fundamental importância, discutir o contexto em que surge este gênero dos quadrinhos e analisar a relação dos super-heróis com a sociedade moderna. Neste sentido, esta comunicação tem como objetivo, analisar a liberdade na sociedade moderna, apontando as contradições e possibilidade que a envolve, e, desta forma, compreender como esta se expressa nas histórias da superaventura através de seus personagens, onde o desejo de liberdade aparece de forma implícita nos diversos elementos que constituem estas histórias.


SESSÃO 3 |  31\07  | Sala 2 | 10h00 – 11h00

REPRESENTAÇÕES DO FEMININO: EMBATES ACERCA DA SEXUALIDADE E DA RELIGIOSIDADE
Kathlen Luana de Oliveira (EST)
Mestra e Doutoranda em Teologia (EST); Especialista em Interdisciplinaridade na Prática Pedagógica (FURB)

A presente pesquisa aborda representações de gênero e religião nas histórias da Velta, da Penitência e da Mulher Maravilha. Tem por objetivo identificar e verificar como gênero e religião são compreendidos nessas narrativas. Por meio de uma pesquisa bibliográfica descritiva, evidencia-se uma suspeita: as representações de gênero, do feminino, mantêm estereótipos de construção de um feminino pensado pela ótica masculina. Já as representações acerca da religião tendem a ser moralizantes, fundamentalistas ou superficiais. A partir de estudos de teólogas feministas se evidencia que a representação do feminino concentra-se em uma sexualidade de extremos: entre a santidade e a promiscuidade. Por fim, o caráter propositivo da pesquisa é delinear as bases para a discussão dessas representações, alargando a compreensão da sexualidade feminina e da religiosidade.

SUPERMAN SEM FRONTEIRAS: A POLÊMICA RENÚNCIA DA CIDADANIA NORTE-AMERICANA
Iuri Andréas Reblin (EST)
Doutorando em Teologia

A presente pesquisa aborda a polêmica renúncia da cidadania norte-americana na história do Superman escrita por David Goyer e publicada na edição comemorativa de Action Comics # 900. Por meio de uma pesquisa bibliográfica exploratória, ela tem o objetivo de analisar as consequências dessa renúncia na perspectiva das narrativas do super-herói e de sua mitologia e as consequências na comunidade com a qual o personagem possui uma relação de pertença. O questionamento do significado dessa renuncia reflete duas direções: uma ruptura formal e discursiva e uma ruptura substancial. O que significam essas rupturas? Qual é o seu impacto? Isso a pesquisa se propõe a discutir.

MAIS RÁPIDO QUE UMA BALA, MAIS FORTE QUE UMA LOCOMOTIVA: DO FAUSTO AO UBERMENSCH, DO BATMAN AO SUPERMAN

Paulo Fernando Dias Diniz (Fac. Damas\ FAVIP)
Licenciado em História (UNICAP);Bacharel em Design (UFPE);Mestre em Comunicação (UFPE); Professor da Fac. Damas e da FAVIP

Os super-heróis são seres exclusivos da sociedade industrial e informacional. Eles marcam a separação entre o mundo natural e o mundo artificial da técnica, estão além da natureza porém não pressupõem um poder sobrenatural como os heróis clássicos filhos de deuses com mortais. O super-herói é criado pela máquina e em alguns casos a supera. Este ser devotado para a máquina é o burguês urbanóide e self-made man, supramito do indivíduo ideal e moderno livre, autônomo e técnico como um demiurgo. Aplicaremos estes conceitos em dois super-heróis antagônicos e ao mesmo tempo referências fortes no mundo mitológico da indústria cultural e do universo dos quadrinhos, o primeiro é Batman (homem-morcego) e o outro é o Superman (super-homem). Baseando-se nestes dois super-heróis tentar-se-a buscar uma correlação entre os signos do super-heroísmo e seu respaldo numa cultura científica pós-moderna.

GT 06 - Representações Sociais nos Quadrinhos, Desenhos Animados e RPG´s

GT 06 - Representações Sociais nos Quadrinhos, Desenhos Animados e RPG´s
Coordenação: Prof. MsC. Amaro Xavier Braga júnior (UFAL/PPGS-UFPE), Prof. MsC. Marcos Buccini (UFPE)



SESSÃO 1 |  30\07  | Sala 2 | 13h30 – 14h30

AMAZÔNIA ANIMADA É BRASIL ANIMADO - A AMAZÔNIA COMO ALEGORIA NACIONAL NA PRODUÇÃO DE ANIMAÇÃO NO BRASIL
Davi de Barros Coelho (PUC-Rio)
Bacharel em Comunicação Social - Publicidade e Propaganda (UFPA), Mestrando em Design (PUC-Rio)

O artigo propõe analisar a presença da Amazônia (mais precisamente, dos elementos materiais e imateriais presentes nas diversas culturas que se localizam na região amazônica) na construção de uma identidade nacional brasileira, a partir do Romantismo, no século XIX, passando pelo Modernismo e demais movimentos artísticos e culturais, ao longo do século XX, até a contemporaneidade. A análise será baseada nos conceitos de comunidades imaginadas, de Benedict Anderson, considerando que aquilo que hoje entendemos como Brasil, como nação brasileira é um discurso construído, em grande parte, por artistas. A Amazônia se encontra entre os elementos mais comuns desse discurso, dessa narrativa de nação, seja no que se refere aos seus aspectos materiais e naturais (a floresta, os rios, os animais, as pessoas) como, e principalmente, no que se refere a seus aspectos imateriais (mitos, lendas, crenças, rituais, festas populares, tradições, danças, ritmos), provenientes das comunidades indígenas nativas. Muitos desses elementos foram revisitados e reinterpretados por artistas diversos, até serem incluídos num repertório cultural com o qual o brasileiro construiu uma relação identitária. A partir dessa análise, será traçado um paralelo entre a produção cultural ao longo desse período, marcada principalmente por artistas no campo da literatura e artes plásticas, e a produção de animação para cinema e TV, a partir dos anos 50. A Amazônia é tema recorrente na produção de animação. Não por acaso, o primeiro longa-metragem animado produzido no Brasil chama-se Sinfonia Amazônica (Anélio Latini, 1953), e, ainda hoje, séries de animação para TV como Tromba Trem (Zé Brandão, 2010) e Vivi Viravento (Alê Abreu, 2010) encontram na Amazônia resquícios de uma cultura brasileira Coriginal, sem influências estrangeiras. Será investigado se essa escolha tão comum pela Amazônia por diretores de cinema de animação é uma espécie de busca (tardia, diga-se de passagem) por essa cultura brasileira imaculada, não-híbrida. Tardia, porque já vimos na literatura, na pintura, na música, no cinema tradicional, movimentos nesse sentido, desde o início do século XX.

FANTASIA: PARA VER E OUVIR
Diego Malta De Campos
Graduando Em Design

A partir de uma análise semiológica do Filme Fantasia", produzido no ano de 1940, pelos Estúdios Disney, veremos os princípios formais da mensagem visual e sonora, unidos para uma possível "audição visual" ou "visão auditiva". Poderemos identificar os níveis de significação do que é transmitido durante o longa metragem, resultado do que poderíamos chamar de uma multissesorialidade do Desgin que estudamos."

XILOGRAVURA EM MOTION GRAPHICS - A REPRESENTAÇÃO DO MOVIMENTO EM ANIMAÇÕES BASEADAS NO ESTILO DA XILOGRAVURA DE CORDEL
Marcos Buccini
Mestre em Design da Informação. Prof. Dep. Design (UFPE)

O presente artigo propõe analisar como se dá a transferência do estilo da xilogravura de cordel para um novo suporte como o cinema de animação, recurso que traz um novo elemento para a representação – o movimento; e como este é representado no intuito de se adaptar criativa e conceitualmente à simplicidade gráfica e estilística da xilogravura de cordel. A pesquisa encontra fundamento nos estudos de Furniss (2009) sobre a representação do movimento, e especificamente suas considerações a respeito do recurso conhecido como 'animação limitada'. Representações limitadas do movimento desenvolveram-se com vista a facilitar e baratear a produção, porém atualmente são utilizadas como recurso artístico e estilístico. Três animações que se utilizam do estilo da xilogravura de cordel foram analisadas: Disputa Entre o Diabo e o Padre pela Posse do Cênte-Fór na Festa do Santo Mendigo (2006), A árvore do dinheiro (2002) e O Jumento Santo e A Cidade Que Se Acabou Antes de Começar (2007). Verifica-se o uso do movimento limitado de modo conceitual, com intuito de melhor se adequar à representação baseada no estilo da xilogravura de cordel, com seus contornos grossos, traços irregulares, alto contraste e planificação da imagem.

FORMAÇÃO DA IDENTIDADE DE GÊNERO E CONSUMO CULTURAL NOS DESENHOS ANIMADOS PARA CRIANÇAS
Senyra Martins Cavalcanti (UEPB)
Mestre em Sociologia, Profª Dep. de Educação (UEPB)

Os desenhos animados dirigidos ao público infantil escondem formações ativas de valores e produção de sentidos em sua abordagem lúdica que estimula a fantasia e a imaginação. Uma leitura crítica deste tipo de produção identificaria que desenhos animados podem vir a reforçar estereótipos e incentivar produções de sentidos e significados sobre identidade de gênero, com ramificações nos processos de socialização e formação de gostos que se estendem da infância à vida adulta. A ausência de conflitos de gênero reforça tanto o mito da infância imaculada quanto o da feminilidade subordinada e complementar ao masculino. O caráter de ser construída e conflitante poderia ofertar um referencial alternativo ao referencial padrão, mas ao retirar os conflitos das situações, estas produções promovem modelos petrificados de identidade de gênero e perpetuam o mito da infância modelar. Neste trabalho, as questões analisadas se inscrevem no quadro teórico de Foucault (1993), Walkerdine (1999), Louro (1999) e de Giroux (2001), e o material de análise é composto por desenhos animados produzidos pelos Estúdios Disney bem como produções mais contemporâneas dos Estúdios Jetix e Cartoon Network.


SESSÃO 2  |  30\07  | Sala 2 | 14h30 – 15h30

A INFLUÊNCIA ESTÉTICA DAS ARTES VISUAIS JAPONESAS PELO MANGÁ E ANIMÊ NAS PRODUÇÕES DE ENTRETENIMENTO OCIDENTAIS
Diego Gomes Brandão, Mestrando em Artes Visuais (UFPB/UFPE) 
Luis Rodrigo Gomes Brandão, Graduando em Comunicação (UFPB)
O presente trabalho busca discutir a influência estética das artes visuais japonesas por meio do mangá e animê na indústria de entretenimento ocidental. Sob a ótica de reinvenção dos quadrinhos japoneses do Paul Gravett, buscamos identificar as principais características da linguagem animê em obras audiovisuais e games, a fim de compreender como esta contaminação estética nas artes visuais do ocidente constituiu-se como um fenômeno de hibridização e associou uma forte identidade visual da cultura pop nipônica aos bens de consumo mundiais.

APROPRIAÇÕES E REPRESENTAÇÕES DA ÉTICA NOS ANIMES DA TV FECHADA: UMA LEITURA VISUAL DO DESENHO DEATH NOTE
Diego Rocha Guedes de Almeida
Graduando em História (UEPB), Graduando em Ciências Sociais (UFCG)

Este trabalho é resultado da análise de discussões entre jovens que tem acesso a canais de TV fechada, destacando o desenhos animado japonês, exibido no Brasil, Death Note. Nesse contexto percebemos circularidade social entre esses jovens e como estes se apropriam de valores representados por estigmas sociais, que acabam por ser representadas nas interações face-a-face da vida cotidiana destes jovens.Estaremos dialogando com categorias de análise tanto histórica como sociológicas, tais como, Chartier, Honneth, Elias e Baudrilard. Destarte, a importância deste trabalho repousa na forma como esses jovens reestruturam valores éticos para moldar novas figurações sociais, sendo um fruto dos impactos dos meios de comunicação que invadem a lógica do dia-a-dia desses jovens, distorcendo seus referenciais sociais que regem seus padrões comportamentais.

ANIMÊS, OBSCENIDADE E VIOLÊNCIA: CONFLITOS CULTURAIS NO OCIDENTE
Quise Gonçalves Brito (UFMT), Mestranda em Estudos de Cultura Contemporânea
Yuji Gushiken, Prof. Dep. Comunicação Social e do Mestrado em Estudos de Cultura Contemporânea (ECCO-UFMT)

O Japão desenvolveu na área da animação um estilo de produção muito singular o qual se tornou popularmente conhecido como animê. Muitos são os elementos técnicos, conceituais e estéticos que diferenciam os animês das demais produções de animação, sobretudo ocidentais. A diversidade temática contemplada pelos animês pode ser apontada como motivadora de sua popularização em escala global e também pelo surgimento de polêmicas e reservas morais em torno dessas produções de origem japonesa. Este artigo busca analisar dois aspectos: a) os efeitos da política macartista e do Comics Code dos EUA sobre a atual concepção ocidental a respeito da produção de animações e b) como a violência e o erotismo são percebidos na cultura japonesa a partir de uma perspectiva antropológica.

NARUTO: UM PROTAGONISTA MARGINAL E HEROI. A REPRESENTAÇÃO SOCIAL DO MENINO KYUUBI.
 Amanda Brandão Araújo (UFPE)

Os quadrinhos são um dos meios que a indústria cultural usa para atingir determinados públicos. A tipologia mangá, de origem japonesa, representa, mesmo que com algumas especificidades distintas da HQ americana tradicional, uma cultura de massa uniformizadora. Ainda assim, há obras que apesar de perpetuar essa ideia, o fazem de forma diferenciada. Naruto, de Masashi Kishimoto, é uma delas. Uzumaki Naruto é uma criança órfã e excluída, representante daqueles que são marginalizados socialmente; no entanto, é receptáculo de um mau espírito que possui poderes extremamente destruidores. Neste trabalho, analisaremos, com base nos primeiros volumes da obra, como se dá construção dessa personagem que é, ao mesmo tempo, marginal e heroi daqueles que o marginalizam.


SESSÃO 3 |  30\07  | Sala 2 | 15h30 – 16h10



HQ E SISTEMAS SIMBÓLICOS: UMA EXPERIÊNCIA DE ENSINO NO CURSO DE DESIGN

José Pirauá (UFPE)
Mestre em Design e Bacharel em Desenho Industrial
Reflete-se neste artigo sobre as experiências de ensino-aprendizagem do componente curricular “HQ e Sistemas Simbólicos” oferecido no Curso de Design de Centro Acadêmico do Agreste da Universidade Federal de Pernambuco. A partir das perspectivas oriundas da teoria do imaginário de Gilbert Durand, aborda-se a criação em si e sua prática inserida no universo das histórias em quadrinhos. Percebeu-se que os alunos conseguiram exercitar sua criatividade de modo a ampliar suas potencialidades ao mesmo tempo em que aprofundaram a compreensão sobre os símbolos inseridos nas histórias que são criadas no decorrer do semestre.

HISTÓRIAS EM QUADRINHOS: POR UM DESVELAMENTO PEDAGÓGICO DE SUAS POSSIBILIDADES
Clayton Rodrigo da Fonsêca Marinho (UFRN)
Graduando em Artes Visuais

Este trabalho tenciona investigar as histórias em quadrinhos produzidas por alunos do curso de Artes Visuais da Universidade Federal do Rio Grande do Norte, partindo de seu desvelamento pedagógico oriundo das possibilidades interdisciplinares constituintes de suas leituras. Norteado por autores seminais no âmbito dos quadrinhos, como Will Eisner, Scott McCloud, Moacyr Cirne e das análises semióticas de Umberto Eco, verifica-se a relevância teórica de tais autores para o aprimoramento da leitura visual, da criatividade na sequenciação das histórias e dos contextos socioculturais dos leitores e os significados que atribuem a tal produção midiática. Ademais, cabe ressaltar a seriedade adotada nesta pesquisa ao abordar os estudos acerca dessa temática, tendo-se em vista suas potencialidades ideológicas já abordadas por diversos estudiosos. Para tanto, debruçamo-nos sobre a leitura de duas páginas de quadrinhos produzidas na Mostra de História em Quadrinhos, no âmbito do XII Encontro Nacional de estudantes de Artes, realizado no Pará, em 2008, intitulada “tragédias Urbanas” analisando os contextos significativos para o ensino com o desenvolvimento desse dispositivo pedagógico. Desse modo, pode-se notar as possibilidades de interação entre a produção de quadrinhos e sua funcionalidade como ferramenta pedagógica, além uma articulação com as produções artísticas contemporâneas.

QUADRINHOS E TEATRO FRAGMENTADO: DESENVOLVIMENTO DE PROCEDIMENTOS PEDAGÓGICOS.

Marcio Alessandro Nunes Rodrigues
Universidade Regional do Cariri – URCA.
Mestre.

O presente resumo pretende demonstrar as relações entre a teoria de transição aspecto-a-aspecto de Scott McCloud (2005), a lógica das sensações de Deleuze (2007), e o teatro fragmentário contemporâneo. Tendo como objetivo final a aproximação de estudantes da estética do teatro construído de fragmentos e do conceito da lógica das sensações. Utilizando a teoria de McCloud sobre a transição nos quadrinhos japoneses, a junção de diferentes fragmentos pelo critério da instauração de uma atmosfera, ao invés de uma lógica narrativa como uma ferramenta conceitual para desenvolver os procedimentos pedagógicos. A pesquisa desenvolveu-se em forma de revisão bibliográfica, e posteriormente  na criação de procedimentos teatrais que resultaram no experimento “Toque-me”, realizado com alunos da Licenciatura de Teatro da Universidade Regional do Cariri –URCA, em Juazeiro do Norte, Ceará, sendo o processo registrado na dissertação de mestrado entitulada "A Cena Contemporânea aos Pedaços". Os alunos em seus relatos posteriores à apresentação revelam que a teoria de McCloud e os procedimentos criados auxiliaram a compreender a lógica das sensações e as manifestações cênicas fragmentárias.


SESSÃO 4 |  31\07  | Sala 2 | 11h00 – 12h00


RED SON: SUPERMAN E OS LIMITES ENTRE HEROÍSMO E TIRANIA
Agostinho Rodrigues Torres (UFPI)
Breno Moreno Ferreira da Silva Cavalcante (UFPI)
Eduardo de Andrade Machado (UFPI)
Graduandos em História (UFPI)
Personagem criado em meados dos anos 30, por Joe Shuster e Jerry Siegel, Superman foi herói representativo da moral norte-americana, abalada durante o período da recessão econômica, que anunciava nos símbolos em que opera uma possibilidade de superação da crise e indícios de uma revitalização do sentimento patriótico. Com a mudança das conjunturas históricas, sua função dentro da cultura pop foi por diversas vezes ressignificada. Nossa intenção neste trabalho é abordar uma dessas reconstruções, buscando explorar as referências sócio-culturais que o HQ pode acrescentar como fonte plausível para a pesquisa histórica. Neste viés,  perscrutaremos a imagem do Superman modulada pela DC Comics, na HQ Red Son, publicada nos EUA em 2003 pelo projeto Elseworld, que surgira com intuito de abranger as personagens mais diversas já publicadas pela empresa, numa remodelação arquetípica de suas origens, caracterizando uma desterritorialização da figura do herói.

JEITINHO BRASILEIRO E IDENTIDADE NACIONAL EM ZÉ CARIOCA
Senyra Martins Cavalcanti (UEPB)
Mestre em sociologia, Professora do Departamento de Educação da UEPB.
Maria Lindaci Gomes de Souza (UEPB)
Doutora em História, Professora do Departamento de História da UEPB.

Esse texto tem o propósito de fazer uma reflexão sobre a identidade cultural brasileira através do personagem Zé Carioca. Criado por Walt Disney no contexto da política norte-americana de boa vizinhança do governo Roosevelt nos anos 40, Zé Carioca é freqüentemente identificado como um malandro que escapa do casamento, do trabalho, da polícia e dos credores fazendo uso do “jeitinho brasileiro”. Como centro de análise, focalizamos em uma dupla abordagem as astúcias do personagem: o humor diante das dificuldades cotidianas que os mais pobres enfrentam, e a dimensão negativa pela resistência a se incorporar aos padrões de uma existência regulada por horários, normas e compromissos. As ilustrações e os textos integram uma unidade de sentido, visto que mais uma leitura que configura o personagem é a semiótica das cores através do verde, amarelo e azul representantes da identidade nacional brasileira. Portanto, essa representação construía de forma perjorativa visualizada através do “malandro do morro”, aquele que leva a vida “numa boa” que toma atitudes anti-éticas, principalmente em relação aos valores que sustentam as relações sociais, torna-se inviabilizada nos desenhos quando priorizamos uma leitura, na qual não percebemos essa depreciação simbólica construída do ser social brasileiro.

OS QUADRINHOS BAIANOS: A INFLUÊNCIA REGIONAL COMO EXPRESSÃO SÓCIO-CULTURAL NA PRODUÇÃO DE ARTISTAS LOCAIS.
Aline Brune Ferraz de Morais
Nerize Portela Madureira Leoncio
Lilian Balbino
Jamile Barbosa.
Graduandas em Artes Visuais (UFRB)

O presente artigo, primeiramente, traça as origens do humor gráfico baiano, identificando os artistas que foram indispensáveis para o seu desenvolvimento. A busca pela expressão de elementos regionais e culturais nas HQ´s baianas, reflexo do contexto histórico-social no qual o artista está inserido, nos levou ao estudo dos trabalhos de Antônio Cedraz, Flávio Luiz e Marcos Franco, principalmente. A partir das declarações desses quadrinhistas em entrevistas, definiu-se o atual quadro desta categoria artística, relacionado ao reconhecimento editorial e público de suas produções. A Bahia é retratada a partir da atrativa linguagem dos quadrinhos e cartuns, repletos de signos, capturados ao longo dessa pesquisa, apontando uma possibilidade interessante de representação e, conseqüentemente, valorização da cultura regional.

PROCESSO CRIATIVO DO QUADRINHO - O EVANGELHO SEGUNDO O SANGUE
Leandro Gomes de Moura (UFRN)

Este trabalho trata de examinar o processo criativo por trás da obra O Evangelho Segundo o Sangue, série de contos de terror, realizada em parceria com o amigo e artista Marcos ‘’Guerra’’, a qual é publicada na Webcomic K-ótica que, por sua vez, é inserida na seção Quadrinhos da Revista Catorze. Para tanto, como co-autor conto a experiência de transpor o roteiro para as páginas dessa narrativa, procurando explicar o quanto produzir essa forma de arte é algo desafiador, envolvente, rico em detalhes e particularmente interessante do ponto de vista semiótico, já que apresenta signos verbais e não verbais (palavras e imagens visuais). Em síntese, será demonstrado nos capítulos a seguir o percurso do projeto desde as primeiras ideias, esboços iniciais dos personagens, instruções do roteiro para a elaboração das páginas, além de exemplos das páginas que compõem a obra. Em outras palavras, abordar os princípios e práticas da arte sequencial será o foco basilar deste trabalho.



SESSÃO 5 |  31\07  | Sala 2 | 13h30 – 14h30


"OS LEÕES DE BAGDÁ": REPRESENTAÇÕES SOCIAIS, DISCURSO E PODER
Daniel Carvalho Cisneiros Silva      
Graduando em Letras/ Crítica Literária (UFPE)

"Os Leões de Bagdá", graphic novel publicada em 2007 e aclamada pela crítica, conta-nos a história de um grupo de leões que, após um bombardeio norte-americano na cidade de Bagdá, escapam de um zoológico e se deparam com uma cidade devastada pela guerra, o que os fará reelaborar seus conceitos de liberdade. Compreende-se que o processo de personificação dos animais executado na criação do roteiro da hq, e a subsequente transcriação deste roteiro em imagens, não são desvinculados da construção de representações sociais. Assim, através da linguagem verbal e da linguagem visual, estruturas sociais de poder são reconstruídas na ficcionalidade dos quadrinhos. Tais reconstruções, antes de mimetizarem a sociedade, reconstroem-na, de forma a evidenciar e criticar tais estruturas; o que se adensa se levarmos em conta que estas são reproduzidas a partir de personagens não-humanos, mas humanizados, e que empreendem uma 'jornada' através da qual reelaboram seus conceitos de liberdade. Este estudo pretende, a partir de uma leitura crítica ancorada em estudos sobre representação social, discurso e poder, desvendar de que forma a sociedade é representada e resconstruída na graphic novel em questão, objetivando, assim, não só alargar a percepção e interpretação da obra, como também contribuir para os estudos sobre representações sociais em revistas em quadrinhos.

O MUNDO DO ABSURDO DE KAFKA NA QUADRINIZAÇÃO
Alberes dos Santos de Sousa
Mestrando em Teoria Literária (UFPE)

O presente trabalho pretende analisar a transposição literária de A Metamorfose de Franz Kafka para a linguagem da História em Quadrinhos realizada por Peter Kupfer, destacando as transmutações ocorridas nesta passagem como também as suas relações intersígnicas nesta tradução textual. Para a discussão desta traduzibilidade, utilizaremos os aportes teóricos de Plaza( 2002) e de Arrojo( 2003) no tocante à reorganização e à decodificação da referida obra literária na linguagem do HQ, e Pierce( 1989) no estudo da Semiótica na nova instauração de sentido promovido pela mudança do contexto de produção. 

O ETHOS JORNALÍSTICO NAS HQ DE JOE SACCO
Geilson Fernandes de Oliveira
Graduando em Comunicação Social - Jornalismo (UERN)

As HQs são fontes profícuas para a pesquisa em diversos campos das ciências humanas e sociais, e nos últimos tempos, mais do que nunca elas são analisadas como um objeto que reflete o meio social do qual fazemos parte. Assim sendo, o presente estudo tem por objetivo analisar a construção do ethos jornalístico nos quadrinhos de Joe Sacco, jornalista internacionalmente conhecido por relatar, por meio das HQ´´s grandes tragédias de guerras e conflitos armados. Sacco aborda o cotidiano de um jornalista em meio à escassez de informações num cenário de conflitos armados, lidando com dilemas como a questão ética e o sigilo com as fontes. Analisando o conteúdo da HQ Área de segurança Gorazde, identificamos que a representação do ethos jornalístico nesta HQ sofre influência desta identidade/modo de ser, já que são resultantes das impressões de um jornalista face aos conflitos de sua profissão.

ANDRÉ DAHMER E A BARBÁRIE
Clayton Rodrigo da Fonsêca Marinho (UFRN)
Graduando em Artes Visuais

André Dahmer desnuda sarcasticamente aspectos comportamentais da sociedade hodierna, ao revelar, à partir da condição bárbara de seus personagens, o comportamento social do ser humano, condições essas que levaram-no ao maniqueísmo que o faz sucumbir. Ao mesmo tempo, o autor assinala que o homem também se torna responsável por aceitar subjugar-se docilmente aos seus grilhões. Partindo de duas obras impressas, Malvados (2008) e O Livro Negro de André Dahmer (2007), analisa-se a postura adota pelo quadrinista, a partir dos pressupostos teóricos da filosofia de Walter Benjamin, Theodor Adorno e Jean-François Mattéi, os quais assinalaram, cada qual ao seu modo, a presença da barbárie na civilização. Tais fatores refletem-se nas posturas adotadas por Dahmer em seus personagens e ressalta essa barbárie de que, possivelmente, ele tenha consciência. Assim, observa-se a presença contínua do processo de individualização, a alienação, o sentimento constante do vazio, a fraqueza de sucumbir aos remédios e vícios, a perda da experiência como história vivida e o desejo pela violência como fatores da barbárie presente nas obras citadas. Contudo, seria o uso de postura irônica que poderia superar esse estado em seus personagens, como um dia os gregos fizeram com a arte.

SESSÃO 6  |  31\07  | Sala 2 | 14h30 – 16h00



TORNANDO-SE MULHER: A REPRESENTAÇÃO DO FEMININO EM BORDADOS, DE MARJANE SATRAPI
Maria Adriana Nogueira (UERN)
Graduando em Comunicação Social - Jornalismo

O presente artigo analisa as representações do feminino na HQ Bordados, de Majane Satrapi, obra que reúne depoimentos de mulheres, suas experiências amorosas e sexuais, em relatos, que surpreendem ao se considerar os estereótipos da mulher do Irã, já que a sexualidade feminina é considerada um assunto tabu naquela sociedade. A sala passa a ser o seu espaço para troca de experiência, resistência, e aprendizado, na sua constituição como sujeitos. Nessa perspectiva, utilizamos as teorias sobre a sexualidade desenvolvidas por Foucault (1998), e a representação do feminino em Beauvoir (1970). Além disso, analisamos como essas mulheres se constituem como sujeitos diante de contexto opressores, onde a voz delas não é socialmente amplificada. Observamos que apesar do rigor religioso do seu país essas mulheres buscam o amor em suas vidas e a emancipação sexual, ainda que às escondidas.

SOBRE A CONSTRUÇÃO DO SENSÍVEL: REPRESENTAÇÃO DAS MULHERES NOS ÁLBUNS DE FRÉDÉRIC BOILET
Tiago Canário de Araujo (UFBA)
Jornalista e mestrando em Análise de Produtos e Linguagens da Cultura Mediática, PPGCCC/UFBA

O artigo analisa a representação das mulheres em dois álbuns do quadrinista francês Frédéric Boilet, “O Espinafre de yukiko” e “Garotas de Tóquio”. Partindo de estudos acerca do problema da representação e do envolvimento de relações de poder, são abordados os discursos envolvidos (e construídos) na configuração das identidades sexuais e de gênero veiculadas nas duas produções. A análise considera tanto as articulações de enredo (em uma perspectiva narratológica) quanto de estrutura gráfica, observando a composição da narrativa imagética pelo uso de diagramação, operadores icônicos, vinhetas e variáveis visuais em suma, o modo como o discurso sígnico é preparado a fim de suscitar determinadas sensações no leitor. A partir dois livros, são apresentados os relacionamentos amorosos/sexuais do quadrinista com sete mulheres, a partir dos quais este artigo demonstra como é possível depreender uma ruptura no discurso corrente sobre o feminino, marcado por hierarquias, submissão e passividade, sobretudo em produções de cunho erótico.

TRANSFORMAÇÕES NAS CORPORALIDADES E VESTIMENTAS DOS SUPER-HERÓIS
Pâmella Rochelle Rochanne Dias de Oliveira (UFRN)
Graduando em Comunicação Social - Jornalismo

As HQ´s, como qualquer outro produto cultural, sofrem interferências diretas do tempo e espaço social. As mudanças sociais refletem nas representações gráficas, no aspecto físico, códigos corporais e nas vestimentas de seus personagens. O personagem Thor, que nasceu nas HQ´s e recentemente tornou-se parte da indústria cinematográfica, é um exemplo disso. Sua primeira indumentária parte de referências mitológicas e de um código de vestimenta dos nos 70. O passar do tempo evidencia uma tendência mais estilizada nessa releitura do personagem, acentuando a virilidade do corpo masculino, descartando antigos signos e incorporando novos. O presente artigo analisa as influências sociais e simbólicas por trás dessas mudanças.

“ELE ESTAVA LÁ PARA ME PEGAR QUANDO EU SALTEI”: ESPECULARIDADE E MISE EN ABYME EM FUN HOME, DE ALISON BECHDEL
Daiany Ferreira Dantas (UFPE)
Mestre e Doutoranda em Comunicação Social pelo PPGCOM/UFPE, graduada em Comunicação Social pela UFRN. Professora da UERN

O conceito de mise en abyme é proveniente da lingüística, sendo utilizado para determinar “os espelhos no texto”, um fenômeno narrativo identificado na análise da auto-reflexividade das narrativas romanescas. Ao investigar Fun Home, uma tragicomédia em família, autobiografia em quadrinhos de Alison Bechdel, o presente artigo busca identificar as marcas de subjetividade no exercício de auto-representação empreendido pela autora, que, ao buscar respostas para o suicídio de seu pai, confronta-se com um percurso que remete, de forma vertiginosa e obsessiva, à proximidade e semelhança existente entre ambos, em função de sua homossexualidade. Numa narrativa repleta de intertextualidade, nas referências literárias e no uso da representação de fragmentos de arquivos e documentos, observamos o sentido da especularidade.


quarta-feira, 15 de junho de 2011

Hospedagem

Algumas informações para a Hospedagem já estão disponíveis.
Todas as indicações estão no bairro de Boa Viagem (20min de carro, 45 min de ônibus) da UFPE.
Existem opções de Hoteís e pousadas também em Olinda, com disponibilidade de ônibuis direto para a UFPE com cerca de 1h.
Acesse a sessão "Hospedagem".

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Novo Prazo

Os prazos para submissão de resumos para apresentação de trabalhos nos GT`S do encontro foram adiados até o dia 15 de junho. O prazo para envio dos artigos completos, continua o mesmo.